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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando a vaca foi pro brejo?



Esses dias atrás estava lendo um post em algum blog e, ao escrever um comentário, caí na real.
A crise aqui no Brasil sempre existiu, pelo menos pra minha família.
Desde que tenho qualquer tipo de memória lembro de meu pai sempre apertado. De sempre ter que vender o único carro pra pagar as dívidas de escola, cheques de clientes que haviam sido devolvidos (meu pai sempre teve este problema em seus negócios), cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado-novo, URV, e por fim o Real.
Lembro-me da inflação a mil!!!! Chegava no supermercado pra comprar chocolates Surpresa (meu favorito) e já tinha que voltar pra casa pegar mais dinheiro porque não era mais o preço de ontem. Nascemos e crescemos em uma crise!

Lula diz que a crise chegará aqui muito enfraquecida. Será que alguém lhe avisou sobre os 600 mil postos de trabalho perdidos somente em dezembro??

Todo dia vejo as manchetes... Sony teve lucro 95% menor no ano de 2008. Empresa demite 25.000 empregados. Starbucks fecha 300 lojas no mundo. E por aí vai. É assustador e pouco a pouco vemos o mundo inteiro se afundando.

Só uma coisa me conforta:
Somos PHDs em crise. Nossos currículos são riquíssimos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Mas que falta isso vai fazer!!!



Estava no clube agora a noitinha com meus filhos e minha esposa. Uma destas tardes de horário de verão que nunca mais acabam, sol até tardão, grupos de amigos jogando biribol, outro grupo fazendo "aquela" picanha com um chopp maravilhoso. Fiquei pensando... o que vou sentir falta?
Bom, da picanha com aquela gordurinha queimada não preciso nem falar, né não?!?!
Claro, fico pensando muito mais no que vou "ganhar" em Vancouver do que "perderei" aqui em Rio Preto. Mas, sabe aqueles cheiros que ficam na memória?? Tipo, hoje senti cheiro de "férias" que é de alguma planta que existia perto de minha escola e que sempre suas flores se abriam nessa época de final de novembro ou começo de setembro. Tenho também o cheiro de "domingo", que é aquela comida que é feita somente de domingo, sabe???!? Mas também, por outro lado, adoro o "barulho" da neve caindo. Moramos numa cidadezinha ao sul de Chicago chamada Bourbonnais. Pequenina e, quando nevava, suas ruas ficavam desertas. Dava para literalmente escutar o barulho da neve caindo a noite! Uma delícia!!! Ah, no inverno norte-americano o cheiro da madeira queimando na lareira é mais uma lembrança maravilhosa.
Bom, sei que vamos sentir falta de muitas coisas, mas ganharemos muitas outras lembranças... e já sei qual a lembrança de infância de meu filho Enzo... ele ama quando eu o pego no colo de madrugada e o coloco no carro para alguma viagem...
Do que você sente/ou sentirá falta?? Quais cheiros te seguirão? Estou curioso... :)
Abraços.
Dario

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Capuzes, armas e churrasco.



Minha (Dá) ex-família hospedeira da época de intercâmbio chegou.
Estávamos todos morrendo de saudades e fizemos um churrasquinho para celebrar, aqui em Rio Preto.
Meu pai mora em Limeira, SP, aonde tem um escritório e onde vive durante a semana.
No mesmo horário em que estávamos celebrando a chegada da host family meu pai era vítima de um sequestro relâmpago em sua própria casa!

Até agora minha ficha não caiu.

Dois caras encapuzados aproveitaram para entrar assim que meu pai saia do carro na garagem. Imagina o susto?!?!?! Um homem de cada lado, bem halloween ou Jason do sexta-feira 13...
Entraram na casa, meu pai ficou com a arma na cabeça sendo ameaçado o tempo inteiro. Eles diziam: "Se não falar aonde o dinheiro está, eu explodo teus miolos..." e outras coisas carinhosas.
Graças a Deus nada aconteceu com meu pai, fisicamente falando, claro!
Roubaram dinheiro, uma câmera digital, e como não poderia deixar de ser, sua carteira com cartões, cheques e todo o etcetera legal.

Estamos até agora digerindo a situação...

Bom, tenho certeza que existe violência assim no mundo todo. Mas, creio também que esta violência exacerbada, cheia de miséria é típica de um país onde habitam pessoas não instruídas, pobres de alma, carentes de uma atenção social e acima de tudo com um baita de um descaso pela educação.

Não era a hora do meu pai ir embora. Graças à Deus.

PS- A POLÍCIA ESTÁ EM GREVE E NÃO "PÔDE" COMPARECER AO LOCAL DO CRIME, MEU PAI TEVE DE IR À DELEGACIA. (EM ESTADO DE CHOQUE) ELE VEIO EM CASA HOJE E, AO ME ABRAÇAR, CHOROU COMO UM BEBÊ.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

UM MINUTO DE SILÊNCIO

O Brasil está perplexo. Um minuto de silêncio.

(...)

Todos os dias nos assusta as multiformas da violência em nosso país.
Todos os dias nos contorcemos mediante a impunidade e a imunidade dos "acima-da-lei".
Todos os dias ficamos estarrecidos ao lermos e relermos sobre as taxas de criminalidade, morte no trânsito, abuso sexual.
Todos os dias, sentimento de impotência. Todos os dias.
Ontem, boquiabertos, assistimos ao desfecho do sequestro de uma adolescente de apenas 15 anos: Eloá Cristina Pimentel. Ela tinha alegria, tinha planos, tinha sonhos, tinha medos. Igual a nós. Igual a mim. Igual a você.

(...)

Quem assistiu ao Fantástico pode ver a avaliação de um brasileiro, presidente do CATI e Instrutor da SWAT de Dallas - EUA, Marcos do Val. Na reportagem, ele falou sobre o retorno da adolescente Nayara, amiga de Eloá, ao cativeiro, afirmando que o procedimento fere qualquer padrão de gerenciamento de crise e, deixou escapar: "Eu tenho vergonha de ser brasileiro". ( no site do CATI ele esclarece que a vergonha refere-se ao governo ser conivente com um sistema falho).
Criticou também a duração do sequestro e afirmou que dentre todos os erros o maior foi ter à frente de uma situação de risco iminente um Coronel sem experiência em negociação. (Assista ao vídeo da matéria.)

Nós não temos conhecimento em estratégias de ataque ou o nome que isso tenha, mas antes de assistirmos ao Fantástico já tínhamos comentado aqui em casa, no decorrer da semana, a maioria dos fatos que ele cita: a demora em invadir o apartamento, as oportunidades em atacá-lo que foram perdidas ( qdo. ele vai à janela junto c/ Eloá), o despreparo do policial que estava negociando.

(...)

Todos os dias nos perguntamos: quando as coisas vão melhorar?
Todos os dias pensamos: em quem podemos confiar?
Todos os dias.






domingo, 28 de setembro de 2008

POR UM LUGAR MELHOR


"Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? é a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" (resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa)


Interessantes as críticas e olhares condenativos em relação à nossa decisão. Os mesmos olhares desconfiados são "frutos" da imigração de outros sonhadores (em circunstância bem menos segura que a nossa). Mas é provável que eles não tenham consciência desse fato. Já vou explicar.

Meu avô, Antônio Nunes, veio aos 4 anos, com a família, para o Brasil. Deixaram a Europa caótica do pós guerra, mais especificamente a Iha da Madeira, para tentarem aqui viver em condições melhores. O avô do Dario, Dário Passarini, vivia em Verona, Itália, e ainda pequeno foi trazido pelos pais para o nosso país.

Eu consigo imaginar os olhos pequeninos desses dois seres mediante um mar infindável e rostos desconhecidos. Vou mais fundo em meus pensamentos e vejo a angústia estampada na face desses pais. Medo e esperança permeando os mesmos poros.
Sem escolaridade e extremamente pobres, não tinham a mínima idéia do que vinha pela frente. Não haviam recebido o visto de residente permanente, nem tinham dinheiro para sobreviverem os primeiros seis meses.

Foi tudo na raça. Imbuídos de uma esperança quase insana entraram naqueles navios lotados: "A viagem de até 30 dias da Itália para o porto de Santos era muito ruim. Os imigrantes vinham na terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era ruim e não havia assistência médica. Muitos morriam ainda na viagem." ( trecho extraído do site Projeto Gênesis - A Imigração Italiana no Brasil)
O cenário daquele época difere muito com o atual. Mas, acredito que as motivações e os anseios dos nossos bisavós em muito se assemelha com os nossos: melhores condições de vida, seja no âmbito financeiro, social ou empregatício.

E o que aconteceu com eles? NÓS somos a melhor resposta.
Nossos bisavós deixaram apenas uma herança para nossos avós: a ESPERANÇA. Assim, eles agarraram-na e investiram suas vidas no trabalho árduo. Fizeram um pé-de-meia.
Nossos pais foram criados com sacrifícios. Começaram a trabalhar bem jovens e conseguiram suas próprias conquistas profissionais. E nós reiniciamos o ciclo.


Em busca de um lugar melhor para se viver. E um lugar para se chamar de lar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

DOCE SAUDADE


Bem, como é perceptível, amamos música, entre outras coisitas. Eu (Lá) fico mais no jazz, blues, rock e MPB. O Dá é bem eclético, e agora, para deixar-me um pouquinho irritada, começou a ouvir Vitor e Léo. Nada contra quem goste, mas eu não engulo. E, no banho com as crias, ele inventa mil versões para CREU, POPOZUDA e todas essas coisas esquisitas (mais uma vez... nada contra quem goste). As crias, bem afinadas como era de se esperar, entoam:
"Que dançá, que dançá... o Dariozão vai te ensiná"... com direito a coreografia.

Mas, o que queria falar mesmo é da agradável sensação que tínhamos ao ouvir algum cantor brasileiro na terra do tio Sam. Normalmente era Marisa, Caetano ou Jobim, quando íamos à livraria Barnes & Noble , à Border ou a gigante Virgin, ou mesmo ao Starbucks. Que adorável brasilidade!

Que orgulho de ser brasileiro, pelos nossos talentos e esforços, nesse Brasil de possibilidades imensas mas de desigualdades de igual tamanho.

Ouvir sua música em terras estrangeiras é saudoso. Mais que isso, faz-te contemplar por instantes quem és, de onde procedes, e a carga cultural que te acompanha.
Ao ouvir Marisa, às vezes eu chorava. Êta saudade boa! Êta gostinho bom esse... contemplar sua pátria e amá-la, mesmo à distância.

E, faço minhas as palavras de Ary Barroso:

" Brasil
terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
Ô Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
Ô Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...
"

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