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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Considerações sobre a felicidade


Fiquei tocada pelo texto abaixo.
Primeiramente porque há uma verdade nele que sempre foi uma importante verdade para mim: não me atrever a julgar e não considerar-me melhor que ninguém (apesar de algumas vezes ser difícil).
Outro aspecto interessante é ser o alvo do julgamento. Isso nos serve também como lição: aprendermos a respeitar decisões, mesmo que contrárias ao nosso ponto-de-vista.
Pessoas, íntimas ou não, avaliam a possibilidade de haver felicidade ao se morar em outro país. E muitas vezes julgam nossas razões e motivações para tal.
Enfim, o que as pessoas sabem realmente sobre nossos critérios tão particulares de definição do que é a tal felicidade? Cada um fale por si e cada um encontre seu próprio caminho. E nesse caminho, aprendamos a respeitar a diversidade.

O texto fala disso. Vale a pena ler!


"No mais recente livro de Carlos Moraes, o ótimo "Agora Deus vai te pegar lá fora", há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major: "Por que você não é feliz como todo mundo?" A que ela responde mais ou menos assim: "Como o senhor ousa dizer que não sou feliz? O que o senhor sabe do que eu digo para o meu marido depois do amor? E do que eu sinto quando ouço Vivaldi? E do que eu rio com meu filho? E por que mundos viajo quando leio Murilo Mendes? A sua felicidade, que eu respeito, não é a minha, major."

E assim é. Temos a pretensão de decretar quem é feliz ou infeliz de acordo com nossa ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser visualizado. Somos apresentados a alguém com olheiras profundas e imediatamente passamos a lamentar suas prováveis noites insones causadas por problemas tortuosos. Ou alguém faz uma queixa infantil da esposa e rapidamente decretamos que é um fracassado no amor, que seu casamento deve ser um inferno, pobre sujeito. É nestas horas que junto a ponta dos cinco dedos da mão e sacudo-a no ar, feito uma italiana indignada: mas que sabemos nós da vida dos outros, catzo ?

Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está nos vendo. O barulho da chave da porta, de madrugada, trazendo um adolescente de volta pra casa. O cálice de vinho oferecido por uma amiga com quem acabamos de fazer as pazes. Sentar-se no cinema, sozinho, para assistir ao filme tão esperado. Depois de anos com o coração em marcha lenta, rever um ex-amor e descobrir que ainda é capaz de sentir palpitações. Os acordos secretos que temos com filhos, netos, amigos. A emoção provocada por uma frase de um livro. A felicidade de uma cura. E a infelicidade aceita como parte do jogo - ninguém é tão feliz quanto aquele que lida bem com suas precariedades.

O que sei eu sobre aquele que parece radiante e aquela outra que parece à beira do suicídio? Eles podem parecer o que for e eu seguirei sem saber de nada, sem saber de onde eles extraem prazer e dor, como administram seus azedumes e seus êxtases, e muito menos por quanto anda a cotação de felicidade em suas vidas. Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter - juízes indefectíveis que somos da vida alheia - mas é um atrevimento nos outorgar o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz.

A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão."
(Texto de Martha Medeiros)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

SONHOS E DESCOBERTAS















Fiquei pensando sobre sonhos, sobre esse projeto, sobre as muitas perguntas e "desincentivos".
Descansei meu olhar em meus filhos, motivação maior de minhas ousadias.
Grandes feitos começaram com grandes sonhos. Não é assim?
Já se viu alguém com sonhos minúsculos e tímidos alcançarem seus objetivos?
Um sonhador ousa, acredita, confia, persiste, luta. Pode até receber alguns nãos. Pode até ver as possibilidades se esgotarem. Pode até encontrar mais complicações do que o imaginado.
Mesmo com as intempéries, ele não desiste.
Alguns nãos NÃO o tiram de seu prumo. Ele insiste.
Encontra novas possibilidades.
Transforma as dificuldades em oportunidades.
E não perde o foco.
Não olha para os problemas, olha para as soluções.
Porque sonhar não tem preço, não tem limites, não tem restrições, não mede esforços. É inerente à alma humana... aos que se permitem.
E nós estamos nos permitindo trilhar um novo caminho.
Desbravar outras terras. Conviver com diferentes culturas. Encarar novos desafios. Recolocar-se profissionalmente. Experimentar novos sabores. Sobreviver ao frio. Investir em amizades, talvez cultivadas no mundo virtual. Apreciar as cores terrosas do Outono. Ansiar pela chegada da Primavera. Chorar de saudade. Chorar de medo. Arriscar. Perder-se. Para encontrar-se.
Ser feliz.

domingo, 1 de março de 2009

Vocês ainda vão para o Canadá?



Sim, mermãos!
Esta é a pergunta que não quer calar. Aparentemente, todos que nos rodeiam querem saber a mesma coisa, de novo!
"Nossa, mesmo com essa crise vocês ainda vão para o Canadá? Vocês são loucos!"
Ou ainda:
"Acho que vocês são doidos. Vão preencher algum tipo de vazio indo para o Canadá?"
Insistindo:
"Eu e meu marido somos bem "pé-no chão", programamos tudo e vocês estão indo sem emprego?"
e... finalizando:
"Ah, eu nunca faria isso com minha família"
(...)
Peraí! Vazio? Nunca faria isso? Loucos? Doidos?

Será que as pessoas leêm jornais? (Sim, eu sei, a nova regra não requer acento circunflexo no segundo "e", mas eu ainda não me acostumei!)
Será que as pessoas não sabem que pode existir algo melhor?
Será que as pessoas não estão cansadas de simplesmente sobreviver?

Eu poderia continuar com uma série de perguntas ...e será que...?

Mas, vou mudar o foco aqui...
Será que as pessoas não têm sonhos?
Não querem crescer? se atualizar? se aventurar? ter experiências diferentes? aprender coisas novas?

A resposta, meus querido, é em sua maioria:
"Claro que sim."

Então eu pergunto:

"E o que você está fazendo para alcançar seus sonhos?" (Bem chavão de auto-ajuda!!!)

A resposta na maioria das vezes:

(Grilo cantando de fundo)
Ãhnn... é.... o...... i.........
Ai, é que... sabe, que... você viu o Corinthians ontem? Nossa, acho que o Ronaldo deve voltar a jogar dia 18...

Sim, eu vi o Corinthians ontem, eu sei do Ronaldo, vi que a Claudia Leitte perdeu 11 kg depois de 1 mês de nascimento de seu filho, que o avião caiu em Amsterdam, que a crise está chegando, que talvez lancem um filme de "Friends", que o Heath Ledger ganhou um Oscar póstumo, e também sei que a Gisele Bündchen se casou secretamente esta semana.

O ponto é: as pessoas deveriam enxergar que a vida não se restringe apenas a ter um bom emprego, com um bom salário, uma casa própria e um carro bonito. É claro que isso tudo é maravilhoso , mas as pessoas não deveriam ter isso como objetivo de vida.
Coisas materiais não deveriam ser o foco de uma vida.
Todos sabemos do ditado:
"Da vida nada se leva, a não ser as experiências".

Não, eu não tenho um emprego garantido no Canadá!
Não, eu não sei qual casa eu vou morar!
Não, eu não me importo em ter um "survival job" para dali poder crescer!
Não, eu não ligo!!!!!!!
Nãoooooooo!!!

Mas, mesmo assim, dois dias depois o sujeito ainda pergunta:
"E aí? Vocês ainda vão pro Canadá?
Respondo:
"No que depender de nós; SIM!"
e continuo... "você viu o Corinthians ontem?"

terça-feira, 4 de novembro de 2008

HÁ MALES QUE VEM PARA BEM


Obrigada a todos que através do blog, ou outros meios, se expressaram em relação ao pai do Dario. Ele já se recuperou do susto e voltou a trabalhar.
O episódio, apesar de gerar certo trauma, foi benéfico para nós (Frozen Bossa Nova). Não que isso tenha mudado a postura da família, mas lapidou o olhar dos entes queridos para certas circunstâncias as quais alegamos nossa ida ao Canadá.
Eu já vivenciei oito vezes esta experiência, algumas em São Paulo, época da faculdade, e outras aqui ( o interior tb. é perigoso). Não é o fator número um, mas está entre os dez primeiros, apesar de que o Dario reluta em expor as razões de nossa futura ida ao Canadá. Ele acredita que os motivos são muito mais pessoais e abstratos, do que reais. Que estão relacionados com uma opção de estilo de vida e busca por algo impagável: conhecimento e vivência.
E você? O que o motivou a entrar para o processo? O que o faz querer morar no Canadá?
Abraços a todos.

domingo, 26 de outubro de 2008

RENOVAR

http://www.silbutterfly.blogger.com.br/renovar.jpg


Uma das razões dessa escolha foi a ânsia pelo novo, pela descoberta e pelo desconhecido. Enquanto em alguns isso pode causar medo ou insegurança, isso me trás paz e prazer.
Percorrer uma rua desconhecida, apreciar o pôr-do-sol de um novo ângulo, saborear uma comida diferente, sentir novas fragâncias e perfumes, conhecer pessoas e sua cultura... ah, isso é bom demais! Faz-me sentir viva, renovada. Faz-me expandir. E, para mim, isso é o que realmente importa: a soma de todas essas experiências, e seu reflexo em minha personalidade, modo de pensar e compreender o mundo.
É esse descobrir que também quero possibilitar aos meus filhotes. O mundo é grande. Quero desfrutá-lo. Viver o instante que passa!


"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

sábado, 11 de outubro de 2008

THE PASSARINIS




São lindos, maravilhosos...são a nossa vida. E, por eles decolamos nesse projeto para lhes proporcionar um futuro com mais oportunidades, igualdade e justiça. Para que tenham experiências que os enriqueçam intectualmente, desafios que os façam crescer emocionalmente, fé em Deus (porque é indispensável nessa empreitada) para se tornarem maduros espiritualmente.

domingo, 28 de setembro de 2008

POR UM LUGAR MELHOR


"Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? é a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" (resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa)


Interessantes as críticas e olhares condenativos em relação à nossa decisão. Os mesmos olhares desconfiados são "frutos" da imigração de outros sonhadores (em circunstância bem menos segura que a nossa). Mas é provável que eles não tenham consciência desse fato. Já vou explicar.

Meu avô, Antônio Nunes, veio aos 4 anos, com a família, para o Brasil. Deixaram a Europa caótica do pós guerra, mais especificamente a Iha da Madeira, para tentarem aqui viver em condições melhores. O avô do Dario, Dário Passarini, vivia em Verona, Itália, e ainda pequeno foi trazido pelos pais para o nosso país.

Eu consigo imaginar os olhos pequeninos desses dois seres mediante um mar infindável e rostos desconhecidos. Vou mais fundo em meus pensamentos e vejo a angústia estampada na face desses pais. Medo e esperança permeando os mesmos poros.
Sem escolaridade e extremamente pobres, não tinham a mínima idéia do que vinha pela frente. Não haviam recebido o visto de residente permanente, nem tinham dinheiro para sobreviverem os primeiros seis meses.

Foi tudo na raça. Imbuídos de uma esperança quase insana entraram naqueles navios lotados: "A viagem de até 30 dias da Itália para o porto de Santos era muito ruim. Os imigrantes vinham na terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era ruim e não havia assistência médica. Muitos morriam ainda na viagem." ( trecho extraído do site Projeto Gênesis - A Imigração Italiana no Brasil)
O cenário daquele época difere muito com o atual. Mas, acredito que as motivações e os anseios dos nossos bisavós em muito se assemelha com os nossos: melhores condições de vida, seja no âmbito financeiro, social ou empregatício.

E o que aconteceu com eles? NÓS somos a melhor resposta.
Nossos bisavós deixaram apenas uma herança para nossos avós: a ESPERANÇA. Assim, eles agarraram-na e investiram suas vidas no trabalho árduo. Fizeram um pé-de-meia.
Nossos pais foram criados com sacrifícios. Começaram a trabalhar bem jovens e conseguiram suas próprias conquistas profissionais. E nós reiniciamos o ciclo.


Em busca de um lugar melhor para se viver. E um lugar para se chamar de lar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

QUANDO AS COISAS MUDARAM


Essa postagem é para amigos e familiares que nos fazem a mesma pergunta:

POR QUE?

Sabemos que a mudança é radical. Também sabemos que nossa situação profissional e financeira é consideravelmente estável. Moramos numa das melhores cidades em qualidade de vida do Brasil (segundo pesquisa da revista Veja). Nascemos aqui, aqui fomos criados. Temos nossas raízes.

Mas, tudo começa com as experiências que tivemos fora daqui. O Dá nos EUA em 1998, a Lá em Sampa durante 5 anos, o Dá em Londrina em 2000, a Lá em Atibaia em 1999 e enfim casados em Bourbonnais em 2002.

Muitas transformações internas. Quando se vive num país em que o cidadão é realmente respeitado; os impostos lhe retornam educação de qualidade, cidades com boa infra-estrutura, policiamento adequado, e todos os benefícios a que temos direito; quando seu filho tem a possibilidade de ingressar em uma boa universidade e a oportunidade de bons empregos; quando há menor desigualdade social; quando o sistema de saúde, como no Canadá, é gratuito e justo, independente de suas limitações; há uma nova perspectiva e olhar sobre seu próprio país.

Nosso desejo de morar em outro pais é antigo... desde quando éramos apenas (acreditem) bons e fiéis amigos, trocávamos cartas aonde dizíamos que iríamos morar na África... coisas de adolescentes...

Existe um lado muito pessoal nisso tudo, difícil das pessoas compreenderem. Quem nos conhece sabe que somos ávidos pelo novo, por novas experiências, por ousar. Acreditamos que o dom da vida é um belo presente de Deus, e queremos usufrui-lo ao máximo. As possibilidades são infinitas àqueles que se permitem "voar". Aquilo que assimilamos com essas novas experiências, e levaremos por toda uma vida, é impagável. O conhecimento de novas culturas, já que o Canadá é um pais tão diversificado, a oportunidade que daremos aos nossos filhos, em todos os âmbitos, da educação à vida profissional no futuro, tudo isso nos convence e incentiva.

E por que o Canadá?
Porque é um dos poucos países do mundo que tem um processo oficial de imigração, além da Austrália, que apesar de ter um clima parecido com o nosso, fica muito mais longe. Vale lembrar, que entrando no Canadá através desse processo, nós adquirimos os mesmos direitos de um cidadão canadense, exceto o direito a voto e a cargos públicos. Mas, após três anos vivendo lá, podemos tentar a cidadania canadense.

Tudo isso, fiquem tranquilos, com planejamento, muita informação, muita conversa, muita oração. Conscientes que o Canadá tem suas mazelas e que o início não será nem um pouco fácil. Afinal, aonde a vida é perfeita?

Termino deixando esse pensamento com meu acréscimo inicial:

Creio em Deus acima de todas as coisas...

" Eu creio em mim mesmo. Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar."

Mahatma Gandhi
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