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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sobre nós e sobre as ostras

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5MxEtOxNiAi0v50rP2z79wdlPu1yCU0Ah8QuWAhBzoSox9P6-_bKQf95cct4e3pQH_LiTeSjr6qDo4QaaR8gxahR1AeH5kPYBkXBkilckxQ-jEKLLnJPSjSrxR7hkwkd4ZKbIwrm-IC9W/s400/OSTRA+II.bmp

Olá amigos!
Estamos meio ausentes... na verdade, estamos focados no aqui e agora, para não enlouquecermos. Visto que vamos apenas em Fevereiro, e isto gera uma certa ou muita ansiedade (para ser mais sincera), estamos concentrados em fazer ou terminar o que há por aqui.

Bem... não há muitas novidades, mas vamos lá:
- nossa conta no HSBC Canadá já está aberta e recebemos também os cartões de crédito canadenses... isso nos deixa mais tranquilos;
- segunda o Dá vai fazer a entrevista para tirar o visto americano (o dele e o da Aimê) e eu vou junto para Sampa pois quero me despedir de alguns amigos;
- já arrumamos um cantinho amigo para ficarmos alguns dias em Van, até o dia em que entramos no hotel, dia 1º de Março, e começamos a caça ao lugar para moramos;
- continuamos na batalha pela venda da nossa casa. Algumas propostas tem surgido, mas ainda esperamos pela irrecusável;
- adoramos essa época natalina, então já enfeitamos nossa árvore e arrumamos nosso "cantinho natalino" aqui em casa com a ajuda das crianças.

Tenho lido o blog do pessoal que já está no Canadá, e percebi em alguns, um certo desânimo, mesmo que passageiro, ou o relato de desafios e dificuldades em algumas áreas. O fato é que não é fácil, nem aqui, nem lá. Por mais que o Canadá seja melhor em alguns âmbitos, a vida de qualquer ser humano é cheia de surpresas, imprevistos, injustiças, desigualdades. Não importa o lugar, basta apenas estar vivo. Mas, sempre trago à minha memória esse pensamento: podemos escolher a forma como olhamos para um problema. Podemos nos deixar consumir por ele, esgotar nossas energias até nos sentirmos fracos e desesperançosos, ou PODEMOS ENXERGÁ-LO COMO UMA OPORTUNIDADE. Apesar de ser bem mais fácil entrar num processo de auto-comiseração e se desgastar, é muito mais vantajoso aprender e crescer através dos momentos difíceis. É tudo questão de escolha.

No livro do Rubem Alves, Ostra feliz não faz pérola, há uma passagem em que ele fala sobre a maneira como os gregos encaravam as tragédias: seriamente. Para eles, tragédia era tragédia. E mesmo com esse sentimento trágico da vida, não sucumbiam ao pessimismo, porque eram capazes de transformar TRAGÉDIA EM BELEZA.

"A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve simplesmente ser gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer."

E ele ainda nos lembra que Beethoven, completamente surdo, no fim da vida, produziu uma obra que canta a alegria...

E, nessas muitas histórias de imigrantes que temos acompanhado, quantas lindas pérolas temos encontrado.

Abraços a todos e um ótimo fim de semana!



domingo, 6 de setembro de 2009

SOBRE PESSOAS E GESTOS


Estou de repouso.
Passei por uma cirurgia estética. Meus movimentos tem que se limitar aos mínimos necessários. Então, alguns "outros" movem-se por mim.
Coçam as costas, os pés... fazem minha comida, cuidam das crianças, da casa, me ajudam a vestir, me dão um banho-de gato, abrem a porta, fecham a porta, ligam e desligam. Recompõe meu riso, melhoram meu humor. Fazem companhia. Ficam ao meu lado apenas.
Suavizam meu tédio. Fazem graça. Fazem-me rir.
Esses outros são minha irmã, meu marido, e no que é possível, meus pequenos filhos.
Esses gestos são inesquecíveis.
Ficar assim, tão dependente, fez-me lembrar que é bom depender. Confiar. Deixar-se cuidar, tocar. Saber que por mais que em alguns momentos nos sentimos sós, não estamos sós.
E, reaprender: a real importância da nossa existência está nas relações, nos sentimentos partilhados e nos elos que vão compondo essa tapeçaria encantadora que chama-se vida.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

VIVER, APRENDER, ESPERAR.


Passou o susto. A vida voltou ao normal.
Mas, pelo que já vivi nessa vida, e das dores que já tive, e dos medos que já senti, e as perdas, traições, desencantos, decepções, do coração estraçalhado, dos caminhos tempestivos, apenas isso obtive: mais vida em mim e mais fome de vida.
Depois de enxugar o pranto, a vista não mais turva pelas lágrimas, pude sempre e tanto, enxergar e contemplar; melhor e mais. Nitidamente.
E esse pensamento soa forte: quero aproveitar a vida.
Viver. Amar. Perdoar. Explorar. Arriscar. Compreender. Ajudar. Ceder. Experimentar.
O sonho de vida no Canadá está mais forte que nunca. Mais urgente que antes. Mas aprendemos também a conter a ansiedade e aguardar o momento certo.
Provavelmente Março. Certamente Vancouver. Totalmente apaixonados por esse novo momento em nossas vidas.
Em breve.

Abraços a todos!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aquilo que não tem preço

Jantar multicultural


Olá!!!
Estes dias estava tão entretida em resolver as coisas por aqui antes de ir embora (isso porque vou apenas em Janeiro), e tão focalizada nos meus medos e ansiedade, que passei a sentir uma angústia torturante.
Todas essas preocupações haviam bloqueado minha capacidade de saborear esse incrível momento em nossas vidas. Eu conseguia apenas pensar nas contas à pagar (para ir e para viver lá), na dificuldade de adaptação, no que as crianças iriam passar. E olha que sou uma pessoa otimista e determinada.
Hoje, olhando um site de um centro comunitário em Burnaby - BC (o local que escolhemos para morar inicialmente), senti algo incrível. Havia fotos dos jantares ocorridos nesse local. Cada noite, um tema relacionado à cultura de outro país.
Nesse momento, percebi a maravilhosa oportunidade que teremos: conviver com diferentes culturas, compartilhar experiências, expandir nossa visão do mundo e sobre o mundo. E, compreendi o impacto disso em nossas vidas. Senti uma alegria imensa, uma paz deliciosa e chorei de felicidade.
E entendi que nunca mais seremos as mesmas pessoas. E o que realmente é valoroso nessa mudança de vida não é mensurável, nem quantificável ou concreto. E não tem preço.

Noite da Pérsia


Noite italiana


Noite afegã


Noite Pak-Bangala


Noite ucraniana.


Noite japonesa


Noite árabe

domingo, 14 de junho de 2009

À FLOR DA PELE - DESABAFO


Olá!!!
Na sexta-feira pagamos a última taxa e enviamos os passaportes. Provavelmente chegarão segunda-feira.

E... para ser sincera é bem estranha a sensação!
Ao mesmo tempo em que estou eufórica e feliz com a finalização desse projeto, estou muito sensibilizada... com um sentimento que se aproxima de tristeza, mas não provoca dor. Apenas a impressão de que um mundo, por mim tão bem conhecido, de amizades profundas e experiências incríveis, ficará para trás. E, nesse turbilhão de emoções que me sufoca agora, tento estabelecer alguma conexão entre esses dois mundos.

Tento manter a mente calma, apesar de estar à flor da pele. Tento fingir que não será difícil a separação das pessoas que amo, apesar de conhecer a dor de uma saudade. Tento acreditar que será fácil, apesar de conhecer esse caminho em terras estrangeiras.

E nada dito aqui deve soar como lamúria. Apenas como desabafo.
Afinal, vocês (q. participam do processo) estão passando pela mesma situação, e provavelmente pelos mesmos sentimentos dúbios. E assim, parecem agora, os melhores ouvidos para meus devaneios.

ABRAÇOS... E ÓTIMA SEMANA!

** imagem: Edward Hooper, Morning Sun.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A LIÇÃO FINAL


Eu lidei com a morte muito cedo em minha vida. Perdi meu pai aos 13 anos e minha mãe aos 24. E sempre tentei ver nessas morte prematuras algum propósito.
Mamãe especialmente, mostrou-me a beleza da vida. Ela era minha melhor amiga e um ser humano incrível. Investiu seus últimos anos em outras vidas. Dedicou-se ao trabalho comunitário, desenvolveu projetos de assistência social, distribuiu sopa para gente faminta noites a fio. Então, sua morte não fazia nenhum sentido para mim, se é que há sentido na morte.

Quando conheci Randy Pausch no programa de televisão da Oprah, percebi que minha perspectiva estava errada. Eu deveria focalizar a vida e não a morte. Fiquei muito tocada com sua experiência. E passei a valorizar as lembranças, e não a questionar os motivos de uma morte.

Randy era professor, casado, pai de 3 filhos e passou seus últimos meses de vida lutando contra um câncer de pâncreas. O lindo em sua trajetória é que ele não passou seus últimos dias se lamentando ou murmurando. Pelo contrário, ele falou sobre a vida e o privilégio de viver.

Randy faleceu no dia 25 de julho de 2008, aos 47 anos. Mas, nos deixou uma mensagem emocionante e otimista. É uma verdadeira lição de vida.

Sua popular última aula na Universidade Carnegie Mellon, em setembro de 2007, ganhou atenção internacional e foi vista por milhões de pessoas no YouTube. Nela, Pausch fala de viver a vida que sempre sonhou, ao invés de passar seu tempo concentrado em impedir a morte. Ele dedicou essa última aula aos seus filhos.

Não li seu livro ainda, mas assisti à palestra. Vale a penar ver, e com certeza ler seu livro.
Abaixo um trecho de seu livro A LIÇÃO FINAL.

"Estou enfrentando um problema de planejamento.

Embora em geral eu esteja em excelente forma física, tenho dez tumores no fígado e me restam apenas alguns meses de vida.

Sou pai de três crianças e sou casado com a mulher dos meus sonhos. Seria cômodo ficar me lamentando, mas isso não faria bem a eles nem a mim.

Então, como viver esse meu tempo tão limitado?

O óbvio é ficar com minha família e cuidar dela. Enquanto posso, estou com eles todos os instantes e tomo as providências logísticas necessárias para lhes facilitar o caminho na vida sem mim.

O menos óbvio é como ensinar a meus filhos o que eu lhes ensinaria nos próximos vinte anos. Agora eles são jovens demais para essas conversas. Todos nós, pais, desejamos ensinar os filhos a distinguirem o certo do errado, o que consideramos importante e como lidar com os desafios que a vida lhes trará. Também queremos que conheçam histórias de nossas vidas, uma maneira de ensinar-lhes a lidar com suas próprias vidas. Meu desejo de fazer isso me levou a ministrar uma "palestra de despedida" na Carnegie Mellon University.

Essas aulas costumam ser filmadas. Naquele dia eu sabia o que estava fazendo. A pretexto de promover uma palestra acadêmica, tentei me colocar dentro de uma garrafa que um dia aportasse à praia, para meus filhos. Se eu fosse pintor, teria pintado para eles. Se fosse músico, teria composto uma música. Mas, como sou professor, dei uma aula.

Falei da alegria de viver e de quanto eu apreciava a vida mesmo me restando tão pouco tempo. Discorri sobre honestidade, integridade, gratidão e outras coisas que estimo. E me esforcei ao máximo para não ser enfadonho.

Para mim, este livro é um meio de continuar o que iniciei naquele palco. Como o tempo é precioso e pretendo passar a maior parte dele com meus filhos, pedi ajuda a Jeffrey Zaslow. Todos os dias passeio de bicicleta pela vizinhança, um exercício fundamental para minha saúde. Durante 53 desses longos passeios de bicicleta, falei com Jeff pelo fone de ouvido do meu celular. Depois ele passou horas a fio ajudando a transformar minhas histórias suponho que poderíamos denominá-las 53 "aulas" --neste livro.

Desde o início sabíamos que nada substitui um pai vivo. Mas planejar não significa obter soluções perfeitas; significa fazer o melhor possível com recursos limitados. Tanto a palestra de despedida como este livro representam minhas tentativas para fazer exatamente isso.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

NATAL, SAUDADES E SONHOS

Super Mensagens

Natal tem as cores de um mês feliz. Quantas boas memórias nos invadem e trazem o sabor e as delícias da infância!
A casa enfeitada, a mãe no preparo dos quitutes, o cheiro do peru no forno, o pai a esperar os convidados. Na noite do Natal, casa cheia e feliz, rostos amigos e familiares, comilança, troca de presentes, palavras de carinho e a espera do Papai Noel.
Em 1989 papai já não estava presente. O Natal foi comemorado com lágrimas e perguntas que nunca tiveram respostas. Mas, as cores e cheiros eram os mesmos, permeados por instantes de saudade. Aos treze anos descobri que as comemorações natalinas podem ser amargas e doces ao mesmo tempo.
A partir de 1990 começamos a comemorar o Natal com a família da mamãe. Tias, tios, primos, risos e gargalhadas, novos cheiros e sabores. Os primeiros netos trouxeram alento ao coração da mamãe, e ela tornou a desfrutar a vida com a avidez de uma adolescente apaixonada. As festas eram alegres, cheias de música, vinho, histórias, brincadeiras de crianças, mensagens de ânimo.


Infelizmente, 1999 foi nossa última ceia. Lembro-me bem da casa toda enfeitada, mamãe empenhada no preparo das iguarias, o som da chuva fininha a cair, as palavras de carinho, a oração sobre o amor feita por mamãe. Em Outubro de 2000, ela teve um encontro repentino com a morte. Aos 24 anos descobri que o Natal pode ter o cheiro insuportável dos que morreram, as palavras de esperança podem tornar-se inaudíveis, as luzes sem brilho.


A dor amenizou com o passar dos anos. Veio o casamento, vieram os filhos e também os novos "Natais". Agora, enfeitamos (eu e o Dá) nossa árvore com a ajuda das crianças. Compramos os presentes, cozinhamos juntos, enviamos cartões às pessoas que amamos, ouvimos Christmas Songs da Diana Krall, e comemoramos com quem está por perto. Brindamos juntos nossos sonhos, lembranças e conquistas.


Tudo isso para dizer que o cenário mudou, as pessoas amadas se foram, experimentamos dias bons e maus, mas o Natal... ah.... o Natal continua e sempre será maravilhoso. É nostálgico, cheio de sonhos de criança, repleto de esperanças inocentes, mas é inevitavelmente maravilhoso. Amamos essa época, a magia, as fragrâncias, os odores, as canções, os símbolos, o querido Jesus, os recados cheios de amor, o tintinar das taças com som de festança, os presentes e as presenças. Amamos as comemorações exageradas, fartas e emotivas. Amamos o dia seguinte, a comida requentada, a casa bagunçada, a preguiça com gosto de vinho amanhecido.


Imbuídos desse sentimento, desejamos à todos vocês que tem nos acompanhado nesse sonho, um Natal de alívio para quem está cansado, um Natal de felicidades para quem está satisfeito, um Natal de vigor para quem está desanimado, um Natal de alento para quem está triste. Não deixe sua árvore sem enfeites, não deixe o sonho de menino(a) esvaecer. De fato, nada muda ao nosso redor, mas nós podemos mudar algo dentro de nós mesmos. Firmes em nosso sonho... o Canadá. Firmes nessa árdua caminhada... que é a vida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008


Deparei-me com essa frase hoje em um livro que estou lendo e achei pertinente ao último post.
Pessoas, lugares, cheiros, comidas... Tudo e todos vão conosco aonde estivermos.



"Você pode dizer adeus a sua família e aos seus amigos e afastar-se milhas e milhas e, ao mesmo tempo, carregá-los em seu coração, em sua mente, em seu estômago, pois você não apenas vive no mundo, mas o mundo vive em você"

Frederick Buechner, Telling the Truth

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

DESABAFO



Ontem fui acometida por um medo perturbador.
Apesar de estarmos no início do processo, minha cabeça fica girando imaginando as mil coisas novas, entre boas e difíceis, as quais teremos que enfrentar. O desafio de reiniciar a vida, praticamente do zero também parece uma sala de tortura sem saída. Procurar uma casa para morar sem conhecer a cidade, arranjar um bom emprego, arranjar um médico de família... tudo isso em alguns dias parece um desafio com porte de um gigante. E, para mim, a pergunta que sempre fica: e as crianças? Queremos encarar essa empreitada pensando num futuro melhor para elas. Será que essa decisão é a melhor? Meu maior medo é em relação aos filhotes, sempre.

Hoje acordei animada novamente. A manhã quente me acolheu e renovou minhas esperanças. A tempestade de angústia que me sufocava ontem deu lugar a uma brisa agradável.
Não sei quantos de vocês já passaram por isso, nem com que frequência. Mas, para mim foi a primeira vez e espero que a última. Não quero desistir, nem acreditar que exista desafio grande demais que não possa ser superado. Acredito acima de tudo em conquistas através de esforço, dedicação, trabalho e determinação. E que os medos, incertezas, desânimos e erros são ferramentas que Deus usa para nos lapidar, aperfeiçoar e preparar para a nossa caminhada.

Deixo aqui alguns pensamentos de encorajamento:

"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca."

Oswaldo Montenegro


"Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.

"Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo."

Mak Twain

domingo, 26 de outubro de 2008

RENOVAR

http://www.silbutterfly.blogger.com.br/renovar.jpg


Uma das razões dessa escolha foi a ânsia pelo novo, pela descoberta e pelo desconhecido. Enquanto em alguns isso pode causar medo ou insegurança, isso me trás paz e prazer.
Percorrer uma rua desconhecida, apreciar o pôr-do-sol de um novo ângulo, saborear uma comida diferente, sentir novas fragâncias e perfumes, conhecer pessoas e sua cultura... ah, isso é bom demais! Faz-me sentir viva, renovada. Faz-me expandir. E, para mim, isso é o que realmente importa: a soma de todas essas experiências, e seu reflexo em minha personalidade, modo de pensar e compreender o mundo.
É esse descobrir que também quero possibilitar aos meus filhotes. O mundo é grande. Quero desfrutá-lo. Viver o instante que passa!


"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

UM MINUTO DE SILÊNCIO

O Brasil está perplexo. Um minuto de silêncio.

(...)

Todos os dias nos assusta as multiformas da violência em nosso país.
Todos os dias nos contorcemos mediante a impunidade e a imunidade dos "acima-da-lei".
Todos os dias ficamos estarrecidos ao lermos e relermos sobre as taxas de criminalidade, morte no trânsito, abuso sexual.
Todos os dias, sentimento de impotência. Todos os dias.
Ontem, boquiabertos, assistimos ao desfecho do sequestro de uma adolescente de apenas 15 anos: Eloá Cristina Pimentel. Ela tinha alegria, tinha planos, tinha sonhos, tinha medos. Igual a nós. Igual a mim. Igual a você.

(...)

Quem assistiu ao Fantástico pode ver a avaliação de um brasileiro, presidente do CATI e Instrutor da SWAT de Dallas - EUA, Marcos do Val. Na reportagem, ele falou sobre o retorno da adolescente Nayara, amiga de Eloá, ao cativeiro, afirmando que o procedimento fere qualquer padrão de gerenciamento de crise e, deixou escapar: "Eu tenho vergonha de ser brasileiro". ( no site do CATI ele esclarece que a vergonha refere-se ao governo ser conivente com um sistema falho).
Criticou também a duração do sequestro e afirmou que dentre todos os erros o maior foi ter à frente de uma situação de risco iminente um Coronel sem experiência em negociação. (Assista ao vídeo da matéria.)

Nós não temos conhecimento em estratégias de ataque ou o nome que isso tenha, mas antes de assistirmos ao Fantástico já tínhamos comentado aqui em casa, no decorrer da semana, a maioria dos fatos que ele cita: a demora em invadir o apartamento, as oportunidades em atacá-lo que foram perdidas ( qdo. ele vai à janela junto c/ Eloá), o despreparo do policial que estava negociando.

(...)

Todos os dias nos perguntamos: quando as coisas vão melhorar?
Todos os dias pensamos: em quem podemos confiar?
Todos os dias.






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