Lembrei de minha mãe hoje. Na verdade, lembro-me dela todos os dias. Mas hoje recordei-me de nossos momentos especiais. Foram muitos. E intensos. Ou talvez a lente do amor tornava cada situação banal...especial. Quando deitava à noite na cama e me aquecia em seu corpo envelhecido. Quando chorava em seus braços. Quando a via preparar meu café da manhã. Quando a ouvia cantar como um rouxinol. Quando notava suas rugas e a abraçava mais forte por causa disso. Quando admirava sua dedicação de orar no final da madrugada. Quando sentava em seu colo apenas para sentir-me criança novamente. Quando apreciava sua disposição em ajudar. Quando apreciava sua infinita capacidade de amar e perdoar. Quando me deliciava com sua risada estridente. Quando me refugiava em seus pensamentos. Quando a olhava conversar com suas plantas. Quando percebia sua tristeza. Quando ela descobria um novo mundo. Quando ela desfrutava desse mundo como uma criança. Quando esquecíamos do tempo, dos medos e problemas em nossas conversas infindáveis. Sou grata a Deus pelos especiais e inesquecíveis momentos que vivi ao lado de minha querida mãe. E porque tenho as melhores memórias que uma filha poderia ter.
Eu lidei com a morte muito cedo em minha vida. Perdi meu pai aos 13 anos e minha mãe aos 24. E sempre tentei ver nessas morte prematuras algum propósito. Mamãe especialmente, mostrou-me a beleza da vida. Ela era minha melhor amiga e um ser humano incrível. Investiu seus últimos anos em outras vidas. Dedicou-se ao trabalho comunitário, desenvolveu projetos de assistência social, distribuiu sopa para gente faminta noites a fio. Então, sua morte não fazia nenhum sentido para mim, se é que há sentido na morte.
Quando conheci Randy Pausch no programa de televisão da Oprah, percebi que minha perspectiva estava errada. Eu deveria focalizar a vida e não a morte. Fiquei muito tocada com sua experiência. E passei a valorizar as lembranças, e não a questionar os motivos de uma morte.
Randy era professor, casado, pai de 3 filhos e passou seus últimos meses de vida lutando contra um câncer de pâncreas. O lindo em sua trajetória é que ele não passou seus últimos dias se lamentando ou murmurando. Pelo contrário, ele falou sobre a vida e o privilégio de viver.
Randy faleceu no dia 25 de julho de 2008, aos 47 anos. Mas, nos deixou uma mensagem emocionante e otimista. É uma verdadeira lição de vida.
Sua popular última aula na Universidade Carnegie Mellon, em setembro de 2007, ganhou atenção internacional e foi vista por milhões de pessoas no YouTube. Nela, Pausch fala de viver a vida que sempre sonhou, ao invés de passar seu tempo concentrado em impedir a morte. Ele dedicou essa última aula aos seus filhos.
Não li seu livro ainda, mas assisti à palestra. Vale a penar ver, e com certeza ler seu livro. Abaixo um trecho de seu livro A LIÇÃO FINAL.
"Estou enfrentando um problema de planejamento.
Embora em geral eu esteja em excelente forma física, tenho dez tumores no fígado e me restam apenas alguns meses de vida.
Sou pai de três crianças e sou casado com a mulher dos meus sonhos. Seria cômodo ficar me lamentando, mas isso não faria bem a eles nem a mim.
Então, como viver esse meu tempo tão limitado?
O óbvio é ficar com minha família e cuidar dela. Enquanto posso, estou com eles todos os instantes e tomo as providências logísticas necessárias para lhes facilitar o caminho na vida sem mim.
O menos óbvio é como ensinar a meus filhos o que eu lhes ensinaria nos próximos vinte anos. Agora eles são jovens demais para essas conversas. Todos nós, pais, desejamos ensinar os filhos a distinguirem o certo do errado, o que consideramos importante e como lidar com os desafios que a vida lhes trará. Também queremos que conheçam histórias de nossas vidas, uma maneira de ensinar-lhes a lidar com suas próprias vidas. Meu desejo de fazer isso me levou a ministrar uma "palestra de despedida" na Carnegie Mellon University.
Essas aulas costumam ser filmadas. Naquele dia eu sabia o que estava fazendo. A pretexto de promover uma palestra acadêmica, tentei me colocar dentro de uma garrafa que um dia aportasse à praia, para meus filhos. Se eu fosse pintor, teria pintado para eles. Se fosse músico, teria composto uma música. Mas, como sou professor, dei uma aula.
Falei da alegria de viver e de quanto eu apreciava a vida mesmo me restando tão pouco tempo. Discorri sobre honestidade, integridade, gratidão e outras coisas que estimo. E me esforcei ao máximo para não ser enfadonho.
Para mim, este livro é um meio de continuar o que iniciei naquele palco. Como o tempo é precioso e pretendo passar a maior parte dele com meus filhos, pedi ajuda a Jeffrey Zaslow. Todos os dias passeio de bicicleta pela vizinhança, um exercício fundamental para minha saúde. Durante 53 desses longos passeios de bicicleta, falei com Jeff pelo fone de ouvido do meu celular. Depois ele passou horas a fio ajudando a transformar minhas histórias suponho que poderíamos denominá-las 53 "aulas" --neste livro.
Desde o início sabíamos que nada substitui um pai vivo. Mas planejar não significa obter soluções perfeitas; significa fazer o melhor possível com recursos limitados. Tanto a palestra de despedida como este livro representam minhas tentativas para fazer exatamente isso.
Desde pequenina gosto de jardins. Aprendi com os olhos verdes de mamãe a contemplar as cores, formas e texturas que os compõe. Em nossas viagens, se deparávamos com espécies de plantas desconhecidas, logo ela dizia: - Filha, despista o guardinha que eu quero pegar uma muda! E eu, adolescente aflita, respondia: - Mas mãe, nós não podemos pegar nada... as pessoas vão ver... o que vão pensar? - Vão pensar que eu cultivo um jardim!
Não tinha jeito! Eu me tornava cúmplice daquela aventura proibida. A alegria de menina que a contagiava era suficiente para que eu participasse de suas pequenas infrações. Assim, ela dedicou-se à muitos jardins. Não plantou apenas flores ao longo de sua vida. Espalhou sementes do amor, da tolerância, da solidariedade, da abdicação, da humildade, das palavras de paz e reconciliação, do perdão e da delicadeza. E foi ela mesma, dentre a vastidão de formosura e agradáveis fragâncias das flores, a mais bela e perfumada.
DESEJO PARA VOCÊS AMIGOS, EM 2009, AS MAIS LINDAS FLORES, E A CAPACIDADE DE ENXERGAR BELEZA ATÉ NOS "ARBUSTOS" DA VIDA. ESPALHEMOS AS SEMENTES DO AMOR, DA PAZ E DO PERDÃO. ARRANQUEMOS AS ERVAS DANINHAS DO EGOÍSMO. E VEJAMOS FLORESCER UM FORMIDÁVEL JARDIM! COM CARINHO LÁ
02/10/08 - envio do formulário 06/10/08 - registro apareceu no e-cas 08/10/08 - carta do consulado informando abertura do processo 09/02/09 - pedido da documentação 06/04/09 - envio dos documentos 24/04/09 - pedido de exames médicos 14/05/09 - envio dos exames médicos 19/05/09 - exames entregues em PortofSpain 10/06/09 - solicitação dos passaportes e do pagamento da Taxa de Residente Permanente 12/06/09 - envio dos passaportes 19/06/09 - telefonema do consulado informando que os passaportes já estavam prontos para serem retirados 24/06/09 - Chegaram os passaportes com os vistos.