quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A LIÇÃO FINAL


Eu lidei com a morte muito cedo em minha vida. Perdi meu pai aos 13 anos e minha mãe aos 24. E sempre tentei ver nessas morte prematuras algum propósito.
Mamãe especialmente, mostrou-me a beleza da vida. Ela era minha melhor amiga e um ser humano incrível. Investiu seus últimos anos em outras vidas. Dedicou-se ao trabalho comunitário, desenvolveu projetos de assistência social, distribuiu sopa para gente faminta noites a fio. Então, sua morte não fazia nenhum sentido para mim, se é que há sentido na morte.

Quando conheci Randy Pausch no programa de televisão da Oprah, percebi que minha perspectiva estava errada. Eu deveria focalizar a vida e não a morte. Fiquei muito tocada com sua experiência. E passei a valorizar as lembranças, e não a questionar os motivos de uma morte.

Randy era professor, casado, pai de 3 filhos e passou seus últimos meses de vida lutando contra um câncer de pâncreas. O lindo em sua trajetória é que ele não passou seus últimos dias se lamentando ou murmurando. Pelo contrário, ele falou sobre a vida e o privilégio de viver.

Randy faleceu no dia 25 de julho de 2008, aos 47 anos. Mas, nos deixou uma mensagem emocionante e otimista. É uma verdadeira lição de vida.

Sua popular última aula na Universidade Carnegie Mellon, em setembro de 2007, ganhou atenção internacional e foi vista por milhões de pessoas no YouTube. Nela, Pausch fala de viver a vida que sempre sonhou, ao invés de passar seu tempo concentrado em impedir a morte. Ele dedicou essa última aula aos seus filhos.

Não li seu livro ainda, mas assisti à palestra. Vale a penar ver, e com certeza ler seu livro.
Abaixo um trecho de seu livro A LIÇÃO FINAL.

"Estou enfrentando um problema de planejamento.

Embora em geral eu esteja em excelente forma física, tenho dez tumores no fígado e me restam apenas alguns meses de vida.

Sou pai de três crianças e sou casado com a mulher dos meus sonhos. Seria cômodo ficar me lamentando, mas isso não faria bem a eles nem a mim.

Então, como viver esse meu tempo tão limitado?

O óbvio é ficar com minha família e cuidar dela. Enquanto posso, estou com eles todos os instantes e tomo as providências logísticas necessárias para lhes facilitar o caminho na vida sem mim.

O menos óbvio é como ensinar a meus filhos o que eu lhes ensinaria nos próximos vinte anos. Agora eles são jovens demais para essas conversas. Todos nós, pais, desejamos ensinar os filhos a distinguirem o certo do errado, o que consideramos importante e como lidar com os desafios que a vida lhes trará. Também queremos que conheçam histórias de nossas vidas, uma maneira de ensinar-lhes a lidar com suas próprias vidas. Meu desejo de fazer isso me levou a ministrar uma "palestra de despedida" na Carnegie Mellon University.

Essas aulas costumam ser filmadas. Naquele dia eu sabia o que estava fazendo. A pretexto de promover uma palestra acadêmica, tentei me colocar dentro de uma garrafa que um dia aportasse à praia, para meus filhos. Se eu fosse pintor, teria pintado para eles. Se fosse músico, teria composto uma música. Mas, como sou professor, dei uma aula.

Falei da alegria de viver e de quanto eu apreciava a vida mesmo me restando tão pouco tempo. Discorri sobre honestidade, integridade, gratidão e outras coisas que estimo. E me esforcei ao máximo para não ser enfadonho.

Para mim, este livro é um meio de continuar o que iniciei naquele palco. Como o tempo é precioso e pretendo passar a maior parte dele com meus filhos, pedi ajuda a Jeffrey Zaslow. Todos os dias passeio de bicicleta pela vizinhança, um exercício fundamental para minha saúde. Durante 53 desses longos passeios de bicicleta, falei com Jeff pelo fone de ouvido do meu celular. Depois ele passou horas a fio ajudando a transformar minhas histórias suponho que poderíamos denominá-las 53 "aulas" --neste livro.

Desde o início sabíamos que nada substitui um pai vivo. Mas planejar não significa obter soluções perfeitas; significa fazer o melhor possível com recursos limitados. Tanto a palestra de despedida como este livro representam minhas tentativas para fazer exatamente isso.


5 comentários:

Sara e Vitor disse...

Olá casal, tudo bem com vocês?

Muito bonita essa mensagem!
Não pude ver o filme ainda, mas irei assistí-lo assim que tiver uma folga nessa correria.

O pouco que li, foi o suficiente para captar a grande lição de vida passada por ele!

Obrigado por compartilhar essa mensagem com a gente! Ela irá ajudar muitas pessoas, não tenham dúvida disso!

Grande abraço,

Vitor

Temperatura Máxima no Canadá disse...

Sem palavras...

Não vou escrever nada agora, porque preciso ir abraçar minha família..

Obrigada por nos apresentar essa mensagem linda.

bjs

Rosi

Neuzinha disse...

Oi Lá,

O filme é fantástico mesmo. Temos muito o que aprender.
Ainda não li o livro, mas tá na minha lista.
È bom termos exemplos que nos inspiram.

Bjim, Neuzinha

Renata, Dory, Olívia e Vítor disse...

Também perdi meu pai quando tinha 4anos e muitas vezes questionei o porquê disso ter acontecido.
Sinto saudade do que nãi vivi ao lado dele, mas passei a ser mais otimista e feliz, apesar das dores dessa vida.
Linda a mensagem!
Beijos

Anônimo disse...

Ai La... Que lindo! Estou td emocionada aqui.. rsrsrs vou procurar ler esse livro.. É engraçado como a gente costuma dar valor às coisas erradas, né..? Por exemplo.. seria tão mais facil gastar energia correndo atrás das coisas que a gente acredita, do que "impedindo"o surgimento de obstáculos... Mas é vivendo e aprendendo... E quer saber de uma coisa? Seus pais devem ter mto orgulho de vc e da família que vc formou.. =]~

BeijoS,

Anne

Web Counter